Para alguns produtores da Austrália Meridional, a próxima decisão sobre a propriedade poderá ser o que plantar no lugar das videiras. O governo estadual anunciou um pacote de 109 milhões de dólares australianos, dos quais 100 milhões serão destinados a empréstimos para transformar vinhedos economicamente inviáveis em áreas com outros usos. A medida foi apresentada em 18 de setembro de 2026.
O programa responde a uma crise que chegou às contas de quem cultiva a uva. No Riverland, 72% das operações vitícolas registraram prejuízo na temporada mais recente, segundo dados da cooperativa CCW citados pela ABC. Alguns produtores de uvas tintas receberam 150 dólares australianos por tonelada, diante de custos de produção de aproximadamente 300 dólares. Nessas condições, continuar colhendo pode aumentar a perda.
O excesso de vinho acumulado após as restrições chinesas às importações australianas se somou à retração do consumo mundial. Para propriedades dependentes da venda de grandes volumes, a combinação reduziu as alternativas. A dificuldade de encontrar compradores passou a determinar decisões sobre a permanência dos próprios vinhedos.
Os empréstimos previstos poderão chegar a 500 mil dólares australianos, com prazo de até dez anos e suspensão dos pagamentos de principal e juros nos dois primeiros. O dinheiro terá de ser devolvido. Na página oficial consultada, as regras detalhadas ainda estavam em elaboração, e os produtores podiam registrar interesse para receber informações sobre a abertura das inscrições.
O pacote também reserva recursos para estimular exportações, orientar a diversificação das propriedades e buscar soluções para os estoques excedentes. Outros 2 milhões de dólares australianos serão destinados ao problema dos postes de madeira tratados com compostos de cobre, cromo e arsênio. Retirar um vinhedo exige lidar também com a estrutura que sustentou sua produção durante anos.
Para quem considera abandonar a viticultura, o empréstimo oferece tempo e capital, mas exige uma nova aposta. Será preciso escolher outra atividade, financiar sua implantação e gerar receita suficiente para pagar a dívida. O sucesso do programa dependerá dessa passagem: conseguir que a terra volte a sustentar quem vive dela.
Fontes: Departamento de Indústrias Primárias e Regiões da Austrália Meridional (PIRSA) e ABC News. Imagem de capa meramente ilustrativa.


