O vinho tem suas fases na vida de muita gente. Começa quase sempre com uma relação difícil. A gente prova, acha seco, estranho, faz cara feia e não entende muito bem como alguém pode gostar daquilo. Prefere os vinhos mais suaves, mais fáceis, mas alguma coisa desperta interesse, a famosa mosca azul. Uma garrafa agrada, outra surpreende e, quando percebe, a gente já quer saber qual é a uva, de onde veio e por que aquele vinho é diferente do anterior.
É aí que começa uma das fases mais divertidas. A gente descobre o vinho e quer descobrir tudo de uma vez. Entra em clube de assinatura, compra livros, faz cursos, assiste a filmes, participa de degustações e aprende algumas palavras em francês. Em pouco tempo, já começa a explicar vinho para os amigos, corrigir a temperatura da garrafa e se atentar aos detalhes de como servir. É o novo convertido do vinho. Acabou de chegar e já quer evangelizar. Uns são bem enochatos!
Alguns ficam nessa fase durante muito tempo. Outros continuam estudando e descobrem uma coisa um pouco “constrangedora”: quanto mais aprendem sobre vinho, mais percebem o tamanho daquilo que ainda não sabem. Começam as viagens, as visitas a produtores, as confrarias, as garrafas guardadas, as safras que passam a importar e uma adega que cresce na mesma proporção em que o cartão de crédito sofre.
Nesse ponto, os caminhos costumam se separar. Tem gente que transforma conhecimento em arrogância e passa a beber mais o rótulo do que o vinho. Precisa mostrar a garrafa, falar o preço, citar o produtor e deixar claro que sabe mais do que quem está sentado ao lado. Outros seguem na direção contrária. Bebem vinhos melhores, conhecem mais, colecionam grandes garrafas, mas já não sentem tanta necessidade de provar nada para ninguém.
Gosto mais dessa fase em que o vinho deixa de ser uma demonstração de conhecimento e passa a fazer parte da cultura da pessoa, das viagens, dos amigos, dos livros, das histórias e da própria vida. A vontade de aprender continua, as garrafas continuam chegando e alguns exageros também, porque não! A diferença é que, depois de passar por tantas fases, a gente entende que não precisa saber tudo sobre vinho para beber bem. E muito menos contar para todo mundo o quanto sabe.
E que cada um curta a sua jornada dentro do universo do vinho, no seu tempo e do seu jeito, mas sempre com elegância. Sem arrogância, sem petulância e, se possível, sem se transformar em um enochato. O vinho fica muito mais interessante quando a gente não precisa provar nada para ninguém.



Eu só sei que nada sei rsrsrs, mas essa semana fiquei orgulhosa de mim mesma 😂🫣 Eu provei um varietal Semillón da Maturana, um vinho barato pela qualidade que tem, mas estava tão maravilhoso, tão sedoso, que eu consegui perceber qualidade no vinho, e fiquei feliz 🙂 o paladar amadurecer é muito bom