Pare de querer viver uma vida bebendo vinhos que você sabe que não combinam com o seu perfil. Só para impressionar as pessoas. Só porque alguém disse que eles representam o bom gosto. Ou porque fizeram você acreditar que aquele era exatamente o vinho que tinha a sua cara.
O mercado faz isso o tempo todo. Ele cria a sensação de que existe um vinho perfeito esperando por você. Um rótulo capaz de traduzir a sua personalidade, o seu estilo de vida e até a sua felicidade. E, quando você acredita nessa promessa, começa a ignorar aquilo que o seu próprio paladar está tentando dizer.
Existe um momento em que deixamos de perguntar do que realmente gostamos para tentar descobrir do que deveríamos gostar. Sem perceber, passamos a desejar aquilo que nos disseram que era desejável. Aos poucos, o prazer deixa de ser nosso e passa a pertencer ao olhar dos outros.
Muitos vinhos que chegam à taça só querem nos convencer. São sedutores, têm um discurso bonito, uma boa história e uma reputação impecável. Fazem de tudo para parecerem feitos sob medida para você. Mas basta a garrafa terminar para ficar aquele gosto amargo que nenhuma boa avaliação consegue apagar.
Curiosamente, as relações humanas também funcionam assim. Existem pessoas que parecem perfeitas no papel (telas). Encantam pela aparência, pela conversa e pela imagem que projetam. Fazem você acreditar que finalmente encontrou aquilo que procurava. Até que a convivência revela um sabor completamente diferente.
E, mesmo percebendo isso, insistimos. Damos mais uma chance. Depois, mais uma. Não porque aquilo ainda nos faça bem, mas porque admitir o contrário significa reconhecer que passamos tempo demais tentando caber em um lugar que nunca foi nosso.
Com o tempo, a gente descobre que maturidade não é aprender a gostar de qualquer vinho. É reconhecer que alguns nunca serão para nós. E tudo bem. O nosso paladar também merece ser respeitado. Porque ninguém passa tanto tempo tentando convencer os outros quanto aquele que, no fundo, ainda tenta convencer a si mesmo.
Isso vale para os vinhos, para os lugares onde insistimos em permanecer e para as pessoas que tentamos encaixar na nossa vida apenas porque pareciam fazer sentido aos olhos dos outros.
Nenhuma escolha vale o preço de abandonar aquilo que sentimos só para atender às expectativas de quem observa de fora. Existe uma liberdade enorme em descobrir que não precisamos gostar de tudo o que disseram que foi feito para nós.


Perfeito para os vinhos, perfeito p pessoas !