Venho observando alguns influenciadores usarem o vinho como parte de uma grande performance de “riqueza”. Tenho a impressão de que esse tipo de conteúdo vem crescendo. Não sei se essas pessoas são realmente ricas, e aqui me refiro apenas ao dinheiro, mas isso pouco me interessa. O que me chama a atenção é a necessidade de exibir preços, marcas, restaurantes, viagens e garrafas caras como sinais de uma vida superior à dos outros.
Não há nada de errado em ter dinheiro, beber grandes vinhos ou frequentar lugares luxuosos. Isso é muito bom, e cada um faz o que bem entender em seu perfil. O que me incomoda, e esta é apenas a minha opinião, é quando o vinho deixa de ser uma experiência e passa a funcionar como prova de poder aquisitivo.
Antes que alguém atribua esta crítica à inveja, não se trata disso. Já tive a oportunidade de provar alguns dos grandes vinhos do mundo, embora nem sempre em safras consideradas icônicas. Sou colecionador e também já publiquei fotografias de rótulos badalados. A questão não está em beber, possuir ou compartilhar essas garrafas, mas em transformar o vinho em cenário para uma performance cujo único propósito parece ser demonstrar riqueza. Fica vazio, deselegante e, para mim, não acrescenta nada ao mercado.
Luxo e ostentação não são a mesma coisa. O luxo pode estar relacionado à qualidade, ao prazer, à raridade e à experiência. A ostentação depende do olhar alheio. Ela não se satisfaz em existir: precisa ser vista, reconhecida e, se possível, invejada. Nesse contexto, a garrafa deixa de ser vinho e se transforma em um objeto de hierarquia social.
Em alguns casos, essa ostentação adquire um tom agressivo. Não existe uma ofensa direta, mas a mensagem parece ser: “Eu posso viver isso e você não”. O vinho já não aparece por sua história, por sua origem ou pelo prazer que proporciona, mas pelo preço e pela exclusividade que representa.
O vinho já é percebido por muitas pessoas como algo elitista e inacessível. Quando um influenciador reforça apenas cifras e símbolos de status, amplia ainda mais essa distância. Em vez de aproximar as pessoas do vinho, transforma seus seguidores em espectadores de uma vida cuidadosamente construída para parecer inalcançável.
A situação se torna ainda mais incômoda quando essa ostentação tenta se disfarçar de conteúdo didático, como se uma explicação sobre a uva, a safra ou o produtor anulasse toda a exibição ao redor da garrafa. O conhecimento aparece, mas ocupa um papel secundário. O verdadeiro assunto continua sendo o preço, o restaurante, a viagem e a suposta posição social de quem publica.
O luxo faz parte do mercado do vinho e sempre fará. Influenciar, entretanto, deveria significar despertar interesse, compartilhar conhecimento, provocar experiências e criar alguma proximidade. Usar o vinho apenas para parecer rico pode gerar visualizações e alimentar fantasias, mas oferece muito pouco à cultura do vinho. Nesse caso, o influenciador não apresenta uma garrafa: apenas a utiliza para exibir a si mesmo.


