Uma garrafa de Riesling produzida em 1811, quando as Guerras Napoleônicas ainda atravessavam a Europa, foi arrematada por 10.250 euros em um leilão online. O vinho veio diretamente da adega histórica da Bassermann-Jordan, uma das mais tradicionais propriedades do Palatinado, na Alemanha, e foi vendido pela plataforma Catawiki.
A garrafa permaneceu por mais de 200 anos na adega abobadada da vinícola, em Deidesheim, sob condições controladas e acompanhada regularmente. Em abril de 2026, recebeu uma nova rolha. Durante o procedimento, foi completada exclusivamente com vinho da mesma safra, sem a adição de exemplares mais jovens. Uma amostra provada naquele momento indicou, segundo a vinícola, que o Riesling ainda apresentava excelente estado de conservação.
Era uma das oito garrafas de 1811 mantidas pela propriedade. A Bassermann-Jordan decidiu oferecer uma delas para descobrir quanto o mercado estaria disposto a pagar por um vinho com essa procedência. Foi a primeira vez que a vinícola colocou à venda uma garrafa daquela safra. As outras sete permanecem em sua coleção.
A história do vinho também passa pela literatura. Em 1820, Johann Wolfgang von Goethe teria recebido uma garrafa do então chamado Jordan’sches Ungeheuer. O vinho seria mencionado posteriormente em seu Divã Ocidental-Oriental. Já o nome Forster Ungeheuer não se refere a qualquer criatura mitológica. Ele vem de Johann Adam Ungeheuer, antigo funcionário público e proprietário ligado ao vinhedo no século XVII.
A safra de 1811 ficou conhecida como a “safra do cometa”. Naquele ano, o Grande Cometa de 1811 permaneceu visível a olho nu durante meses sobre a Europa. A colheita excepcional logo foi associada ao fenômeno celeste, embora não exista evidência científica de que o cometa tenha influenciado a qualidade das uvas. As condições climáticas favoráveis daquele ano, entretanto, produziram vinhos que conquistaram uma reputação quase mítica.
O valor alcançado ficou dentro da estimativa do leilão, calculada entre 10 mil e 13 mil euros. Embora coloque o Riesling entre os vinhos alemães mais caros já oferecidos publicamente, o resultado está distante dos recordes internacionais. Em março de 2026, uma garrafa de Romanée-Conti 1945 foi vendida em Nova York por 812.500 dólares, o maior preço já pago por uma única garrafa de vinho em leilão.
Quem comprou o Riesling de 1811 adquiriu algo que dificilmente poderá ser avaliado apenas pelo que ainda existe dentro da garrafa. Seu valor está também na procedência ininterrupta, na raridade e na sobrevivência de um objeto que atravessou mais de dois séculos sem ser aberto.


