Será que as pessoas estão preferindo beber vinho em casa ou é só impressão minha?
Entre meus amigos e conhecidos, vejo um número crescente de pessoas preferindo reunir os amigos em casa para abrir algumas garrafas, preparar alguma coisa para comer e ficar à vontade.
Não é que todo mundo tenha virado caseiro (ou virou mesmo?). Continuamos gostando de sair, conhecer restaurantes e experimentar novos pratos. Mas, quando alguém sugere um jantar, logo aparece outra ideia no grupo: “E se fizermos na casa de alguém?”. Ultimamente, essa segunda opção tem vencido com frequência.
Os motivos são vários.
Os restaurantes estão caros, e o vinho costuma deixar a conta ainda mais pesada. Algumas cartas têm poucas opções, repetem os mesmos rótulos e oferecem quase nada em taça. A gente olha, pensa na garrafa que tem em casa e perde um pouco a vontade de pedir.
Sei que os restaurantes têm seus custos e precisam ganhar dinheiro também com o vinho. Mas tem garrafa chegando à mesa por duas ou três vezes o valor encontrado no varejo.
Quando cada amigo pode levar um rótulo diferente e, pelo mesmo dinheiro, o grupo consegue beber vinhos melhores, a escolha pela casa começa a fazer sentido.
Em casa, cada pessoa chega com sua garrafa. Não precisa ser um jantar elaborado. Pode ter pizza, queijos ou qualquer coisa preparada sem muita cerimônia. O mais interessante é que os vinhos acabam participando mais da conversa. Um apresenta o rótulo que levou, outro conta onde comprou, e a conversa fica até mais interessante quando é sobre o vinho em si...
Fui olhar os números para saber se essa percepção era somente minha.
No primeiro trimestre de 2025, caiu em 34% a parcela de consumidores que pediu bebidas alcoólicas fora de casa. O volume médio consumido em cada visita também diminuiu 13,8%.
Pesquisas recentes incluem todas as bebidas alcoólicas, então não dá para saber exatamente o tamanho dessa queda no vinho.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de vinhos movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, quase 9% a mais do que no ano anterior. As pessoas continuam comprando vinho. A dúvida é onde essas garrafas estão sendo abertas.
Ainda faltam pesquisas específicas para dizer se o vinho está realmente saindo dos restaurantes e indo para dentro das casas.
Mas, olhando para as pessoas que estão ao meu redor, essa mudança é real. Hoje é mais comum alguém perguntar “na casa de quem?” do que sugerir um restaurante.


