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Avatar de Conrado

O vinho é um grande desmascarador de performances.

Tem uma pressa essa amor moderno em queimar etapas e buscar validação, que morre na segunda taça. O sujeito fotografa o rótulo, mas é toalmente incapaz de sustentar o olhar de quem está do outro lado da mesa. Vira um espetáculo para uma plateia invisível, enquanto a presença real escorrega pelo ralo.

Algumas (muitas) relações combinam mesmo com o imediatismo de um fast-food ou o pragmatismo da água. Um bom vinho exige o oposto: exige a coragem de desarmar os filtros e aceitar o tempo que as coisas levam para abrir suas camadas (quase que decantar … ou evoluir na taça, como preferir). Quem não aguenta o repouso de uma conversa sem o refúgio da tela do celular certamente não merece o ritual da adega.

Parabéns pela reflexão.

Avatar de Roberto Rodrigues Correa

Matou a pau!

Talvez um dos textos mais lúcidos sobre os afetos contemporâneos que li nos últimos tempos. Brilhante especialmente quando mostra que a tragédia moderna não é a falta de amor, mas o excesso de distração. Pessoas cercadas de conexões e cada vez mais incapazes de repousar verdadeiramente umas nas outras.

Texto raro. Como certos grandes vinhos: pede leitura lenta, sem notificações por perto.🍷🍷🫶🏼

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