O vinho é um grande desmascarador de performances.
Tem uma pressa essa amor moderno em queimar etapas e buscar validação, que morre na segunda taça. O sujeito fotografa o rótulo, mas é toalmente incapaz de sustentar o olhar de quem está do outro lado da mesa. Vira um espetáculo para uma plateia invisível, enquanto a presença real escorrega pelo ralo.
Algumas (muitas) relações combinam mesmo com o imediatismo de um fast-food ou o pragmatismo da água. Um bom vinho exige o oposto: exige a coragem de desarmar os filtros e aceitar o tempo que as coisas levam para abrir suas camadas (quase que decantar … ou evoluir na taça, como preferir). Quem não aguenta o repouso de uma conversa sem o refúgio da tela do celular certamente não merece o ritual da adega.
Talvez um dos textos mais lúcidos sobre os afetos contemporâneos que li nos últimos tempos. Brilhante especialmente quando mostra que a tragédia moderna não é a falta de amor, mas o excesso de distração. Pessoas cercadas de conexões e cada vez mais incapazes de repousar verdadeiramente umas nas outras.
Texto raro. Como certos grandes vinhos: pede leitura lenta, sem notificações por perto.🍷🍷🫶🏼
Obrigado, meu amigo. Esse texto foi escrito através de experiências próprias e de relacionamentos que aconteceram em torno de mim e aos quais eu também vejo flutuando entre essa humanidade moderna…
Que lindo esse texto… que bom que o amor ainda consiga gerar discussões, em tempos de Inteligências ARTIFICIAIS, onde o amor vai perdendo seu espaço, em tempos de excesso de estímulos, de excessos de retoques em tudo, na vida, nas telas, onde sempre queremos, de alguma forma, parecer melhores, e o artificial vai tomando conta de tudo, da nossa face, do nosso corpo, da nossa fala e inclusive dos amores. Dostoiévski disse que “…amar alguém significa vê-lo como Deus o concebeu.” Será que realmente conseguimos amar dessa forma? Sem máscaras? Sem ensaios, Será que conseguimos amar alguém que realmente desnude a alma? Não o corpo… porque esse muito mais fácil desnudar. Acrescento ainda que temos uma dificuldade ENORME em enxergar e identificar nossos erros, sempre o outro é culpado, por não agir assim ou assado..(falando de forma popular mesmo)
Atenção genuína, presença verdadeira e disposição para permanecer são, para mim, uma linguagem de amor em exercício. A primeira continua sendo o ato de servir.
Sempre valorizei profundamente o tempo das pessoas. Talvez por isso eu chegue com antecedência aos compromissos, escute com atenção e procure estar verdadeiramente presente quando alguém divide comigo suas alegrias, dores e silêncios. Com o tempo, me tornei uma excelente ouvinte e uma pessoa profundamente empática.
Mas a vida ensina.
E aprendi, às duras penas, q presença, profundidade, tempo e permanência não são para qualquer um. Muitas vezes, aquilo q eu oferecia de mais valioso era percebido apenas pela sua utilidade. O q eu fazia importava mais do q quem eu era.
Então me afastei.
Não por ressentimento, mas por entendimento.
Voltei às minhas raízes. Compreendi q a minha presença não deve ser desperdiçada onde ela é apenas conveniente. Q meu tempo merece reciprocidade. Q minha escuta merece ser escutada também.
Não desperdice sua melhor safra ,nem seu tempo , com quem não sabe viver o agora. O vinho, assim como o afeto real, exige pausa, olho no olho, cumplicidade . 🍷🍷
É por isso que a minha solidão apesar de dolorosa me conforta mais do que fingir que compactuo em me encontro em tudo isso, antigamente dizia que eu nasci na época errada.
Mas a verdade é que eu apenas me recuso a me render ao caminho medíocre, enganoso e vazio da futilidade, da atitude da maioria só para me sentir pertencente a um grupo do qual nunca nem ao menos me encontrei.
Porque no final das contas continuamos tendo apenas a nós mesmos mesmo em meio a toda essa multidão, milhões de pessoas conectadas o tempo todo, com a faca e o queijo na mão da comunicação, mas elas simplesmente não sabem se comunicar e se recusam a saber...
Esse amor vendido nos holofotes é como investir em uma ação, uma empresa que já está falida...
O amor verdadeiro, e não só o romântico.
É para poucos, muito muito poucos... Estes são os que realmente encontram a verdadeira riqueza da vida.
E eu me cansei, jovem mas já cansada de tudo isso, é impossível ter um cérebro e não perceber o quanto esses hábitos imediações nos consomem tanto quando nós consumimos cada vez mais.
Me afastei de todas as redes sociais, que de sociais... Bom na
minha opinião não tem nada.
É só um emaranhado de marketing abusivo e sem propósito a fim de ver quem compete em vender melhor o peixe do seu próprio ego.
Me sinto exaustivamente cansada, mas me recuso a deixar de ser quem eu sou. E aqui agora nessas palavras que escrevo, nesse texto que eu li e que respondo agora, é um dos únicos e poucos momentos em que eu me encontro nesse mundo caótico atual....
Cara, é por isso que eu valorizo tanto um vinho. Simplesmente uma das minhas bebidas favoritas. E com certeza, é notório o nível de prioridade que alguém está na minha vida quando eu lhe chamo para tomar um vinho comigo. Infelizmente, não é todo mundo que aprecia com vontade. Não o vinho, e sim o momento. E a escrita é impecável, devo admitir. Acredito que uma garrafa é preciosa demais para abrir com qualquer companhia, de fato. Então, cabe a nós mesmos sabermos saborear um bom vinho mesmo estando sozinho. Você, um vinho, e você.
O vinho é um grande desmascarador de performances.
Tem uma pressa essa amor moderno em queimar etapas e buscar validação, que morre na segunda taça. O sujeito fotografa o rótulo, mas é toalmente incapaz de sustentar o olhar de quem está do outro lado da mesa. Vira um espetáculo para uma plateia invisível, enquanto a presença real escorrega pelo ralo.
Algumas (muitas) relações combinam mesmo com o imediatismo de um fast-food ou o pragmatismo da água. Um bom vinho exige o oposto: exige a coragem de desarmar os filtros e aceitar o tempo que as coisas levam para abrir suas camadas (quase que decantar … ou evoluir na taça, como preferir). Quem não aguenta o repouso de uma conversa sem o refúgio da tela do celular certamente não merece o ritual da adega.
Parabéns pela reflexão.
Matou a pau!
Talvez um dos textos mais lúcidos sobre os afetos contemporâneos que li nos últimos tempos. Brilhante especialmente quando mostra que a tragédia moderna não é a falta de amor, mas o excesso de distração. Pessoas cercadas de conexões e cada vez mais incapazes de repousar verdadeiramente umas nas outras.
Texto raro. Como certos grandes vinhos: pede leitura lenta, sem notificações por perto.🍷🍷🫶🏼
Obrigado, meu amigo. Esse texto foi escrito através de experiências próprias e de relacionamentos que aconteceram em torno de mim e aos quais eu também vejo flutuando entre essa humanidade moderna…
Parabéns! Disse tudo sobre relacionamentos contemporâneos!
Grato!
Que lindo esse texto… que bom que o amor ainda consiga gerar discussões, em tempos de Inteligências ARTIFICIAIS, onde o amor vai perdendo seu espaço, em tempos de excesso de estímulos, de excessos de retoques em tudo, na vida, nas telas, onde sempre queremos, de alguma forma, parecer melhores, e o artificial vai tomando conta de tudo, da nossa face, do nosso corpo, da nossa fala e inclusive dos amores. Dostoiévski disse que “…amar alguém significa vê-lo como Deus o concebeu.” Será que realmente conseguimos amar dessa forma? Sem máscaras? Sem ensaios, Será que conseguimos amar alguém que realmente desnude a alma? Não o corpo… porque esse muito mais fácil desnudar. Acrescento ainda que temos uma dificuldade ENORME em enxergar e identificar nossos erros, sempre o outro é culpado, por não agir assim ou assado..(falando de forma popular mesmo)
Que o amor encontre as pessoas disposta a ele…
sempre…
Atenção genuína, presença verdadeira e disposição para permanecer são, para mim, uma linguagem de amor em exercício. A primeira continua sendo o ato de servir.
Sempre valorizei profundamente o tempo das pessoas. Talvez por isso eu chegue com antecedência aos compromissos, escute com atenção e procure estar verdadeiramente presente quando alguém divide comigo suas alegrias, dores e silêncios. Com o tempo, me tornei uma excelente ouvinte e uma pessoa profundamente empática.
Mas a vida ensina.
E aprendi, às duras penas, q presença, profundidade, tempo e permanência não são para qualquer um. Muitas vezes, aquilo q eu oferecia de mais valioso era percebido apenas pela sua utilidade. O q eu fazia importava mais do q quem eu era.
Então me afastei.
Não por ressentimento, mas por entendimento.
Voltei às minhas raízes. Compreendi q a minha presença não deve ser desperdiçada onde ela é apenas conveniente. Q meu tempo merece reciprocidade. Q minha escuta merece ser escutada também.
Hoje escolho melhor as mesas onde me sento.
Pq eu quero tomar vinhos raros.
E foi a melhor coisa q fiz por mim e pelo vinho.
Também estou escolhendo mesas melhores e esperando os vinhos raros…
Também estou escolhendo mesas melhores e esperando os vinhos raros…
Ou uma garrafa muito superestimada então.
Verdade!
Li e reli seu texto, e acho que eu sou uma pessoa que sofro com estes “amor moderno “.
Fico triste… mas não é da minha geração, como tantas outras ciosas.
Aguardo quieta abrir um vinho no meu tempo, em minha companhia.
Não podemos julgar os que não conhecem o tempo, pq eles ainda não sentiram 🍷
Obrigado…. 🥰🍷🍷
Que texto maravilhoso!
Obrigado.
Irretocável! 👏🏼
Não desperdice sua melhor safra ,nem seu tempo , com quem não sabe viver o agora. O vinho, assim como o afeto real, exige pausa, olho no olho, cumplicidade . 🍷🍷
Concordo…
Lindo demais
É por isso que a minha solidão apesar de dolorosa me conforta mais do que fingir que compactuo em me encontro em tudo isso, antigamente dizia que eu nasci na época errada.
Mas a verdade é que eu apenas me recuso a me render ao caminho medíocre, enganoso e vazio da futilidade, da atitude da maioria só para me sentir pertencente a um grupo do qual nunca nem ao menos me encontrei.
Porque no final das contas continuamos tendo apenas a nós mesmos mesmo em meio a toda essa multidão, milhões de pessoas conectadas o tempo todo, com a faca e o queijo na mão da comunicação, mas elas simplesmente não sabem se comunicar e se recusam a saber...
Esse amor vendido nos holofotes é como investir em uma ação, uma empresa que já está falida...
O amor verdadeiro, e não só o romântico.
É para poucos, muito muito poucos... Estes são os que realmente encontram a verdadeira riqueza da vida.
E eu me cansei, jovem mas já cansada de tudo isso, é impossível ter um cérebro e não perceber o quanto esses hábitos imediações nos consomem tanto quando nós consumimos cada vez mais.
Me afastei de todas as redes sociais, que de sociais... Bom na
minha opinião não tem nada.
É só um emaranhado de marketing abusivo e sem propósito a fim de ver quem compete em vender melhor o peixe do seu próprio ego.
Me sinto exaustivamente cansada, mas me recuso a deixar de ser quem eu sou. E aqui agora nessas palavras que escrevo, nesse texto que eu li e que respondo agora, é um dos únicos e poucos momentos em que eu me encontro nesse mundo caótico atual....
Cara, é por isso que eu valorizo tanto um vinho. Simplesmente uma das minhas bebidas favoritas. E com certeza, é notório o nível de prioridade que alguém está na minha vida quando eu lhe chamo para tomar um vinho comigo. Infelizmente, não é todo mundo que aprecia com vontade. Não o vinho, e sim o momento. E a escrita é impecável, devo admitir. Acredito que uma garrafa é preciosa demais para abrir com qualquer companhia, de fato. Então, cabe a nós mesmos sabermos saborear um bom vinho mesmo estando sozinho. Você, um vinho, e você.
Brilhante !